Poesias

  • Viagem

    Hoje acordei viajando, sem sair de casa.Aquela viagem que não precisamos de carro, de trem, de avião.Vamos com nossas próprias asas, bem acompanhadas da imaginação.O céu está do azul mais lindo que já vi.Vejo montanhas, vales de vários tons de verde, parecem tapetes, assim os percebi.Tem outras cores variadas, são os flamboyants, vermelhos, alaranjados, os…

  • Chuva

    Chuva é presente divino.Traz a água, criatura abençoada.É capaz de deixar nossa alma lavada.Lava também os telhados.As árvores, as flores, os gramados.Deixa passarinhos extasiados.O barulhinho que faz, acalma.O perfume da terra molhada, revolve lembranças.Da época da infância,Quando a enxurrada virava rio.E em seus leitos deslizavam barquinhos de papel, que representavam navios.As roupas e os cabelos…

  • Idoso

    Idoso é aquele ser teimoso.Que pode ser do jeito que quiser, porque merece respeito, lutou, sobreviveu.Continua seguindo seu caminho, carregando tudo o que viveu.Traz dentro do seu coração, muitas lembranças.Seus dias felizes da infância.Seus dissabores, também os amores.Suas conquistas, também as derrotas.Traz nos pensamentos tudo o que aprendeu, também seus ensinamentos.Seus feitos também os não…

  • A musa que trouxe a dor

    Ela tinha:um corpo estrelado de sardas,cabelos que eram como cascatassobre os ombros.Os olhos tão claros eum toque irradiador de sonhos.Era como um milagreque fez desembarquena terra dos escombros.Depois somos só narradores,mais um de muitos daqueles– digamos, espectadores –que narram somente as dores. Pontos soltos, nós cegos.Nós éramos cegos.

  • Cidades de papel

    Enquanto você sangravafazia sangraras outras pessoas também.De tanto tentar se esconderde seus defeitosacabou assimme envolvendo como parte deleso que fez issoo maior de todos.Não existe culpae nem remorsoapenas doeuquando tive que tiraros seus espinhosdos meus dedoscom o alicate.Mas depoisde muita paciênciaeu consegui acabarme livrando de todosmas tenho certezaque pelo menos algumdeve ter conseguido entrarpela minha…

  • Asas invisíveis

    Ah, liberdade!Esse sentimento indomávelque espreita no coração dos homense que está associadoa propósitos de vida,causas nobres,novos começose também paixões diminutas.Mas que pode parecer impossívelse olhada da maneira erradaou usada de forma incorretamas que se torna um alívio enormequando se realizaou se transforma em um pesadeloquando em excesso.Uma contradição, um desejo,um simples ponto de vista, um…

  • Tarde em Itapuã

    Você tornou-se meu porto seguro:Minha inspiração, desejo e cuidadoMinha felicidade e amor maduroDesatino e ardente fulgor sagrado. Com seu jeito de Iemanjá ou IansãMomentos que se tornaram para mimBem mais que uma tarde em Itapuã,Da memória indelével e sem fim.   Com você toda manhã é espetáculoToda risada é espontânea e sagazTodos segundos distantes calculo. Sentir…

  • 26 de julho de 2015

    A torre Nunca estive aqui antes…Daqui de cima vejo toda a cidadee pequenos pontos iluminados,que se fundem no horizonte…  O céu, embora com nuvens,nos permite vários vislumbres,das estrelas que se desvencilhame da lua que pede por atenção. Alguns breus se estendem na plantação de trigo e cana-de-açúcar, onde trabalhadores noturnos se dedicam à safra, Sem que ninguém tenha…

  • 9 de julho de 2018  

    Até onde nossos desejospodem nos levar?Até onde é o fim da consciência humana? Até onde sozinhos chegaremos,sem que a própria sortenavegue nossas certezastão frágeis? Quantas horas se passarãoaté que a alma desperte?Quantos amoresdividirão teus lençóisaté que a volúpia se parta? Até quando iremos procurar a virtude,nas latas de lixo de nossos tristes dogmas? Ai de todas as almas…

  • 1 de abril de 2015

    Isolados Dentre pensamentos jogados ao ventoa lucidez não faz sentido…E este é o fim da segunda garrafa de vinho. Na loucura da noiteme disperso por aí,vendo e imaginando…Como seria bom você estar aqui! A lua clareia as ruascom seu sinistro brilho azule sozinho perambulo… Bebendo e lembrando… Bebendo e lembrando…Do que não tenho! Tantas ruas vaziase as…