Autora da própria história

Como escritora sou autora de muitas histórias, umas calcadas em vivências, outras baseadas em fatos vividos por diferentes pessoas e muitas frutos da imaginação. 

Escrever é relativamente fácil quando se tem o dom, o gosto pela leitura e escrita e a busca contínua do conhecimento. 

Será que escrever a própria história real tem a mesma facilidade? 

Somos autores da nossa história, escrevemos a cada segundo vivido, muitas vezes nos tornamos personagens, quando somos surpreendidos por eventos contrários a nossa vontade, quando acontecem fatos que impactam, mudam nossos caminhos, nossa jornada, quando jamais pensaríamos em viver tal situação, a morte de ente querido, tragédias etc. 

Muitos capítulos da vida jamais escreveríamos, creio que neste caso nos tornamos personagem, que sofre, que não tem coragem, que sente insegurança. 

A vida não dá trégua, preenche páginas e páginas do nosso livro, nos empurra ladeira abaixo, coloca buracos, pedregulhos na nossa estrada, mas existe aquele que está acima dela que conheço como Deus, que está sempre pronto para nos segurar, nos levantar, nos tirar dos buracos, suaviza, muda o tom da história, coloca flores, natureza, poesia, esperança em nosso caminho. 

Em certo trecho de nossa história aumenta os personagens, um companheiro, ou companheira, uns serezinhos que passam a depender de nós, até se tornarem donos da sua história, que chamamos de filhos. 

Este pedaço da estrada é maravilhoso, cheio de alegria, de cores lindas, de grandes realizações, de expectativas, de incertezas. É tão intenso que sem perceber passamos para outra fase, ou melhor, para outro capítulo. 

Novos personagens entram no nosso livro, genro, nora, mais serezinhos que chamamos de netos, que logo tomam conta dos nossos corações e o ciclo reinicia, preocupações, expectativas, incertezas, agora com menos intensidade, porque a responsabilidade maior é dos nossos filhos, ficamos na retaguarda e na curtição. Essa é a recompensa pelo trabalho realizado lá atrás, quando nos ocupamos da lapidação dos nossos filhos, contribuindo para que se tornassem cidadãos de bem. Isso não acontecem com todos, mas é assim que deveria ser. 

Se escrevemos nossa história com erros, os quais certamente ocorreram pela nossa condição humana, se deixamos lacunas, se não houve sequência, coerência entre 

um capítulo e outro, mas se o enredo foi construído com amor verdadeiro, nosso  livro da vida, terá valor e será eternizado pelos descendentes. 

Nosso livro só terá o capítulo final quando mudarmos de plano existencial, portanto enquanto estivermos por aqui podemos revisar, corrigir, alterar, acrescentar, mudar o que for possível, antes da palavra fim, que geralmente vai na última página. 

Deixaremos de existir apenas fisicamente, mas, de alguma forma, continuaremos por aqui.


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